Segue abaixo uma matéria adaptada, realizada pelo Portal Veja São Paulo em 20 de agosto de 2008.
No início deste ano, visitei João Pessoa. Estava em Recife e percorremos algo em torno de 130 quilômetros porque queríamos, de qualquer jeito, conhecer o ponto mais oriental do Brasil, a Ponta do Seixas. Minha sobrinha Vitória, então com 4 anos, imaginava se dali daria para ver a África (!!!). A primeira impressão ficou e continuou: depois de vários dias na agitada Recife, João Pessoa é pacata, tranqüila e gostosa feito cidade do interior. Nos arredores, praias lindas. No trato, gente boa de papo e atenciosa – sem tanta desconfiança.
Não é uma cidade concorrida (em 2007, recebeu 800 000 turistas, enquanto a badalada Fortaleza (CE) recebeu 2 milhões...), mas é linda e tem muito verde. Também nos arredores está cheia de praias bacanas.
A capital da Paraíba é a terceira cidade mais antiga do Brasil. Completou 423 anos no início deste mês e, depois de duas décadas de negociações, teve seu centro histórico tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A oficialização (homologação) do tombamento foi feita no dia do aniversário: 5 de agosto.
Na seqüência, virão mais obras de restauração e preservação dos cerca de 700 prédios antigos. O Porto do Capim, área às margens do Rio Sanhauá, onde a cidade foi fundada, está sendo revitalizado. O Prédio da Alfândega, também conhecido como Prédio Amarelo, deverá abrigar um centro cultural.
Segundo Rossana Honorato, da Coordenadoria de Proteção dos Bens Históricos e Culturais de João Pessoa (órgão recém-criado para ajudar no processo de revitalização), a capital paraibana conseguiu o tombamento porque mantém o traçado original das ruas na região do centro e pelo esforço na conservação dos prédios.
Quem visita João Pessoa vê logo que é uma capital nordestina diferente. Ela é mais pacata, tranqüila. As construções na orla obedecem a uma lei de 1978 que proíbe prédios com mais de três andares numa faixa de 500 metros do litoral.
Em direção ao sul, alcança-se o município de Jacumã e as praias de Tambaba (lá pratica-se naturismo/nudismo. Fica a cerca de 30 quilômetros da capital. Atenção: homem desacompanhado de mulher não entra...), Coqueirinho, Tabatinga, do Amor e Barra do Gramame.
Cabedelo e a fortaleza de Santa Catarina também são contempladas nos roteiros.
Mais: vale conhecer a Ponta do Seixas (a 14 quilômetros da capital). É o ponto mais oriental do Brasil. Na mesma região visite o Farol do Cabo Branco para ter a melhor vista da região.
O dia termina na Praia do Jacaré. É um ancoradouro fluvial onde o ritual turístico inclui assistir ao pôr-do-sol com a trilha sonora do Bolero, de Ravel.
João Pessoa não é rica em gastronomia como sua vizinha Recife. Mas a culinária regional sai muito bem, obrigada, da cozinha do Mangai – estrelado no Guia Quatro Rodas.
O restaurante é primo da casa de mesmo nome que ficou com o título de melhor regional de Natal, no Rio Grande do Norte, na última edição de VEJA, o Melhor da Cidade.
Farto bufê de pratos regionais, adaptados de receitas clássicas sertanejas. Nomes curiosos: feijão do véio (charque com natas e feijão-verde) e sovaco-de-cobra (carne-de-sol moída com milho verde). Os clientes também podem escolher entre os pratos do cardápio, como pamonhas, canjica, cuscuz e tapiocas.
Telefone: (83) 3226-1615
Faixa de preço por pessoa: até 25 reais